Reformas, o preço da insensatez

A história é bastante clara e convincente: a Reforma da Previdência, como assim o foi com a Trabalhista, mais atrás ainda, em relação ao Plano Real, de estabilização da economia, que trouxe extraordinários avanços decorrentes do PROER, da Lei de Responsabilidade Fiscal e das Privatizações invariavelmente custam caro ao cidadão, o que vota e paga impostos – os tax payers.

Mesmo levando em conta a vital importância dessas reformas, as “esquerdas” e o PT votaram contra. Não podiam acreditar que o Brasil pudesse dar certo, como deu. Não convencidos, os governos petistas trataram de destruir as conquistas do Plano Real e produziram o caos econômico e político que quase quebra o Brasil e que ainda se arrasta.

Por questões ideológicas e políticas rasteiras não lhes era conveniente que o Brasil voltasse a crescer gerando emprego e renda e estabilização política e econômica. Acima do país encontrava-se o socialismo bolivariano, um panfletário esdrúxulo, nem comunista, muito menos democrático, que acabou por quebrar a Venezuela. Essa quimera perseguiu o ideário dos governos petistas com Lula da Silva e Dilma Rousseff, até que a sociedade dela se cansou e, por impeachment, a mandou para casa apeada do poder.

Como afirma em editorial o Estado de São Paulo deste domingo: “É notório que alguns grupos produzem abundante desinformação sobre a reforma da Previdência. Desinibidos, eles difundem acintosas mentiras, como a de que o sistema previdenciário não é deficitário ou de que a proposta do governo federal contempla uma idade mínima tão elevada que impediria os trabalhadores de se aposentarem. Sem qualquer compromisso com a realidade, o objetivo dessa turma, pequena, mas que faz intenso barulho, é simplesmente disseminar o terror, dizendo mentirosamente que, uma vez aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, as pessoas morrerão trabalhando”.

Atentatório, desaforado, por outro lado, o comportamento político do Congresso Nacional. Além de razões ideológicas, por um lado, na média geral, deputados e senadores não têm compromisso com o povo e a nação brasileira, que, por mandatos delegados em eleições democráticas, livres, os representa. O que se assiste diariamente pelo noticiário da mídia é vergonhoso sob qualquer ângulo que se examine a questão.

O governo de coalização transformou o Congresso num reles balcão de negócios. Espúrios, evidentemente. Parlamentares, clara e abertamente, não se pejam em declarar só votarem nas Reformas mediante liberação de recursos de emendas parlamentares, aprovação de fundo partidário ou nomeação de correligionários para cargos chaves no governo. Um acinte, um golpe frontal contra o povo que os elege.

Diante desse cenário, afirma o Estadão, “adquire especial relevância a responsabilidade da população, seja para não se tornar refém da mentira, seja para não dificultar ainda mais a prevalência do interesse público. Não é uma questão de transferir uma responsabilidade do governo para os ombros dos cidadãos, como se, além dos muitos desafios e labutas que lhes cabem, ainda precisassem assumir tarefas que prioritariamente são dos políticos. Convenhamos que a reforma da Previdência não é responsabilidade de determinado governo ou partido. Assegurar um sistema previdenciário minimamente justo e sustentável é tarefa de todos”.

Alega-se por exemplo que a Reforma Trabalhista tolheu direitos. Não vi até hoje quem apontasse um só item que houvesse reduzido direito do trabalhador. A ordem, porém, é “resistir” sempre não interessando a que. Desde a redemocratização de 1985, os “contrários” às intervenções modernizadoras têm a mesma origem, vestem camisetas vermelhas e empunham bandeiras da mesma cor com o vetusto e arcaico símbolo da foice e do martelo. A propósito, em total desuso mundo afora, mesmo na nação que o instituiu como símbolo de libertação e de construção de um mundo novo inspirado pelo socialismo e a ditadura do proletariado, a ex União Soviética..

O brasileiro, diante de tais cenários, precisa novamente assumir suas responsabilidades, retornar às ruas e reafirmar sua força, a única que efetivamente pode promover mudanças, como ficou claro durante a luta pelas Diretas Já e a reação contra a corrupção e o desgoverno que originou um déficit público até então jamais imaginado, promoveu o retorno da inflação, gerou 14 milhões de desempregados e uma recessão que travou o país. É, por conseguinte, crucial que o cidadão reaja e não se deixe abater pelo mar de lama que invadiu Brasília. Noites tormentosas, por mais lúgubres, as trevas que a dominam serão inelutavelmente sucedidas por novos e esperançosos dias

Com notável precisão, salienta o Estadão em seu editorial deste domingo: “Não é de hoje que a população se preocupa com a atuação dos políticos. Por variados motivos – entre eles, a facilidade de acesso à informação proporcionada pela tecnologia –, cresceu a consciência de que é preciso estar de olho nos representantes eleitos. Atualmente é consenso que o exercício responsável dos direitos políticos vai muito além da participação nas eleições. Da mesma maneira, é preciso dar-se conta da responsabilidade direta da população sobre as grandes questões de uma sociedade. Ignorar caso tão grave e de consequências tão sérias quanto o da Previdência, como se fosse um assunto que só interessa aos políticos, é uma demonstração de irresponsabilidade. Afinal, o futuro do País é do interesse de todos, e não apenas de Brasília”.

Os que cobram tão caro pela aprovação das Reformas são os mesmos que foram eleitos para defendê-las, pois a restruturação institucional e modernização do país devem estar acima de quaisquer conveniências pessoais. Sem estes passos, só nos resta a estagnação e a danação eternas.

O economista Osiris M. Araujo da Silva é jornalista e escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA)

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