Pelos bares da cidade

 

Há uns poucos anos falávamos que estava chegando o final de semana e o tédio. Os passeios eram dentro das lanchas e praias que ficam perto de Manaus e vizinhas do Tarumã e Ponta Negra. Os mais abençoados iam para as terríveis pescarias. As pescarias eram acompanhadas por um outro barco com parte da produção das fábricas de cerveja que existiam na nossa “Manô de encantos mil”. As nossas fábricas não eram suficientes para os pescadores e eles ainda iam para os supermercados em busca das mais procuradas marcas mundiais. As americanas, as mexicanas, as holandesas, as alemãs, as dinamarquesas e até as peruanas. Antarctica, Brahma, Corona, Quilmes, Skol, Stella Artois, Sab-Miller, Heineken, Carlsberg, Kirin e outras bebidas espirituosas. Um fim de semana dedicado a acabar com o álcool do mundo. O barco do Tio Hiram, Coimbra e Edson Melo eram seguidos pelas latinhas que ainda boiavam indicando o caminho dos “Pedros da Galiléia”.

Hoje, o nefasto ano de 2016 nos estertores, o mapa do consumo de álcool mudou muito, diminuindo também o seu teor etílico. Os bares da cidade estão dando de goleada em Copacabana e os nossos espaços rivalizam com os shows da Cidade Maravilhosa, em qualidade.

O Juca Henriques Sêmem, o nosso Ricardo Amaral, sempre nos coloca na linha de frente com atrações do tamanho de Diogo Nogueira, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Mart’nália, Jorge Aragão, Fagner e outros Sinatras tupiniquins.

Os nossos bares, ricos em atrações, passaram a oferecer todos os tipos de bebidas, notadamente o vinho, também de todos os países que os produzem e com uma forte preferência pelos portugueses. Eu gozo de alguns novíssimos experts quando exagero em dizer que todos os finais de semana, em que estou no Champs Elisée, procuro ardorosamente um ser respirante que diga:

– Traz um vinho português! Até hoje não vi um portuga pedir um Periquita, Magriço ou Pêra Manca.

A minha Manaus, durante os fins de semana, extrapola no bom gosto das bebidas e dos ritmos que lotam seus bares.

O Bardot apresenta a qualidade total da Márcia Siqueira, do Kokó Buarque de Holanda, Tiozinho e Pajé, o Buteko da Piscina vai de Marcio Cigano, João Victor e Rodrigo e do Dj Anderson Mix. O espetacular Caldeira, da minha infância, cheio de refrescos de maracujá, caju e buriti, hoje, oferece todas as bebidas do mundo e os melhores acordes do samba, com os meus mestres do “Fino do Samba”. São uns craques. O Gargalo apresenta Darlen Pimenta e Daniel Trindade. O Sr. Garrafas manda de Afonso Rodrigues, o internacional, além de Carlão, o Carlos Braga.

A Luciana Sabor a Mi exagera no bom gosto. Ela coloca para a sua seleta clientela o Multi-Voice Felício. O Felício é um fenômeno da música mundial no coração da Amazônia. É de ficar com queixo caído e virado para o “Star”. O Felício sobra para qualquer bar, restaurante, casa de show ou teatro do nosso Brasil.

Aquele tempo em que ouvíamos que nada existe em Manaus, parece haver ficado muito para trás. Se você estiver com o bolso bem comportado, sendo cliente do Banco do Palocci, da consultoria do Zé Dirceu, da Construtora do Marcelinho ou do Ministério da Propina, também criado por ele, Manaus é uma festa. Sendo um agraciado por qualquer desses cristão e com uma maravilhosa ao seu lado, você certamente acabará no Céu, fazendo um pit-stop no Aphrodite ou no Nirvana, que são do mesmo nível dos cinco estrelas da Barra da Tijuca ou da Zona Rosada da Cidade do México.

Feliz 2017! O Brasil merece.

 

Roberto Caminha Filho, economista, bebedor de suco de limão, está impressionado com os bares da nossa cidade. Volta, João Nogueira!

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