Lula tem teto estreito

Segundo a mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, Lula da Silva venceria as eleições presidenciais contra qualquer um dos candidatos previsíveis. Surge com 35% das intenções de voto nas diversas hipóteses levantadas, contra Jair Bolsonaro, que aparece entre 16 e 17%, e Marina Silva, entre 13 e 14%. Encontram-se os dois últimos empatados em segundo lugar, considerada a margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Outras candidaturas, como as de João Doria, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, situam-se em torno de 8 a 10%, vindo em escala bem inferior os nomes de Álvaro Dias, Henrique Meirelles e Fernando Haddad, no atual estágio das investigações eleitorais.

Uma leitura rápida ou conveniente da pesquisa, como o fazem os apaixonados pela candidatura de Lula, dá a eleição como favas contadas para o petista, ainda que a um ano da disputa presidencial. Independente de sua condenação criminal, a ser certamente mantida em segunda instância, o que implicará em inelegibilidade, nos termos da Lei da Ficha Limpa, a atual posição do ex-metalúrgico não é nem um pouco tranquila. Sujeito a chuvas e trovoadas, Lula enfrentará uma situação dia a dia mais tormentosa, uma vez desafiado a vencer a rejeição a seu nome, entre 40 a 50% de eleitores que afirmam que nele não votarão em nenhum cenário.

Em qualquer pesquisa eleitoral, a meu ver, embora não me considere um especialista no assunto, a medida da rejeição é a mais importante, porquanto é com seu número que se tem o teto de crescimento dos candidatos. No caso de Lula, ainda que aumentem ou diminuam as oscilações daqueles que o repelem, a tendência será de alta, reiterada sua condenação pelo Tribunal de Porto Alegre e com o início da campanha presidencial, quando sua imagem deverá ser melhor desnudada. Há pesquisas que indicam que cerca de 70% dos eleitores não votarão de forma nenhuma em nomes envolvidos ou sequer citados na Lava-Jato, fato que impedirá o avanço do petista e servirá para ampliar seus índices de rejeição, considerado o nome de maior relevo enlameado até o pescoço na Operação de Curitiba.

Não é à toa que os petistas, com exceção dos mais cegos, insertos em estamentos mais radicalizados, já admitem lançar um nome alternativo, com Fernando Haddad ou com Tarso Genro. Mesmo marcados por administrações desastrosas na Prefeitura de São Paulo e no Estado do Rio Grande do Sul, considerada a falência de opções nas hostes lulopetistas, mostram-se dispostos a enfrentar o pleito, como projeto de sobrevivência do partido. Legendas laterais, que sempre compuseram arco de aliança com o PT, também pensam em candidato próprio, como o PC do B e o PSB, além do ex-governador Ciro Gomes, já em campanha pelo PDT, todos disputando o mesmo eleitorado, na raia mais ideologizada, com ou sem Lula no páreo.

Postas as variáveis, não vejo a menor possibilidade de sucesso na reedição do projeto Lula, que perde força e eleitores a todo momento, até em segmentos que sempre manifestaram voto tradicional de esquerda no país. O petista, como expressão maior da sigla que fez o Brasil mergulhar no caos econômico e na desesperança de milhões de desempregados, tem teto estreito, como revelam as pesquisas de opinião. Limites que se agravam, diante de cada novo escândalo de corrupção que o alcança junto a seu partido.

P.S. Acaba de sair nova pesquisa do Datafolha que revela que 54% dos brasileiros querem ver Lula na cadeia, fato que agudiza os fatores de rejeição do petista, enquanto 89% entendem que Michel Temer deve ser processado pelo Supremo Tribunal Federal, em atenção à denúncia oferecida pelo procurador-geral da República.

paulofigueiredo@uol.com.br

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