E para o Brasil, não vai nada, não?

Quando éramos garotos, e não faz muito tempo, acontecia o que vemos e ouvimos em jornais, rádios e televisões, todos os dias, com os dirigentes levando vantagem em tudo, dizíamos para os colegas:

– E na coisinha não vai nada não?

A regra que um Todo Poderoso Fake impunha aos eleitos, para dirigir qualquer poder, era uma só, e apenas eles eram capazes de escutar, assim, passavam a ser orientados e protegidos.

– Vai lá e rouba tudo o que puderes desse povo idiota. Tenha a certeza que nada vai te acontecer. Eu estou aqui. Ricos serão aqueles que trabalharam para o Estado e só.

O Todo Poderoso Fake desaparecia assim que a ordem era dada, e ficava só o ungido e o cofre que o povo o presenteara. O passo seguinte era a compra de um Lear Jet e um helicóptero. Pronto! O governador ou prefeito já estava mais preparado que o Bat Man. O povo olhava e dizia que o “Cara” agora veria a cidade por cima e voaria para pegar o dinheiro que há muito sobrava em Brasília, e o seu estado ficaria mais bonito que Xanadu. Puro engano do boníssimo povo brasileiro. O “Cara” estava se estruturando para assaltar o cofre que lhe fora presenteado e destruir o Estado, a cidade e o povo que o elegera. Procurava apoio da Câmara, do Senado e do TCU. Pronto! Só faltava treinar no Firo.

Um outro jogo que brincávamos, aparecia na frente deles: o Firo, que geralmente ficava do outro lado do jogo de Damas. O jogo era uma aula didática para quem quisesse seguir os caminhos que o voto abria e iluminava. No Firo, o jogador deveria montar uma estratégia em que você, ao mover qualquer pino, comeria uma pedra do adversário. Pronto! Mexeu, comeu! O Sergio Cabral, o Maluf, o Eduardo Cunha, o Henrique Eduardo Alves, o Cerveró, o Palocci, o Garotinho, a Rosinha e outros players de gabarito estavam sempre nas finais desse incrível Campeonato. O Eduardo Cunha saiu na frente para o Campeonato Brasileiro de Mão ao Cofre de 2018. O campeão aparece pelos anos de cadeia que acumula. O craque, Edu Cunha, já acumula trezentos e oitenta e seis anos de Papuda. Um recordista mundial para essa modalidade.

Uma atitude era exemplarmente seguida por todos os dirigentes: jamais tirar um segundo do tempo destinado a governar, para o Estado ou para o povinho que o elegeu. O tempo era só para eles e a ninguém era dado o direito de interferir. Todos os pagamentos deveriam passar por um pedágio que ia de 30% a 75%. Há quem diga que dirigentes diziam a porta aberta: eu não sou garçon para receber 10%. Só assim eles seriam reconduzidos por essas dóceis ovelhinhas, afinal, era uma ordem dada por um Todo Poderoso Fake. Então, o real, o Todo Poderoso, criador do Céu e da Terra, acordou e resolveu intervir: deu um grito na direção de Curitiba, uma espécie de Éden, e um mortal foi eleito para destruir esse Jogo Malígno.

O Todo Poderoso, criador do Céu e da Terra, deu voz e poder ao procurador de Contas Júlio Marcelo de Oliveira, o homem que viu, antes de todos, as pedaladas do governo Dilma, um passo largo para a Ditadura do Proletariado. Após Júlio Marcelo é que chegaram Sérgio Moro e seus Anjinhos Terribles. Agora, o Firo inverteu. São os nossos que armaram a estratégia certa para jogar fácil: para onde mexer, prisão nos espertos. Eu nem acredito, mas o Paulo Maluf, o nosso atleta olímpico nas Olimpíadas do Mal, o ícone do Firo dos anos 70 a 90, está guardado e, com a falta de tornozeleiras, não verá ruas, avenidas, praças e sua Ilha Bela…tão cedo.

As pessoas que conheço estão dizendo:

–Tenho a impressão que chegará o dia 28 de janeiro e o dia 24 de janeiro de 2018 não chegará. Será neste dia 24 de janeiro de 2018 que poderemos ter mais um recordista mundial na modalidade de Mão ao Cofre: Luiz Inácio Lula da Silva poderá buscar uma nova marca. A minha torcida é que ele consiga esse recorde tão perseguido:

3.000 anos de suspensão é a minha torcida.

Roberto Caminha Filho, economista e nacionalino, é torcedor de Júlio Marcelo, Sérgio Moro, Deltan Dellagnol e Anjinhos Terribles. Estou na enorme fila para sócio-torcedor do TRF4.

 

Deixe um comentário