Carta de Palocci, um documento histórico

Antonio Palocci conhece como poucos as entranhas do Partido dos Trabalhadores, na condição de fundador da sigla e dos mais expressivos dirigentes do país, durante os governos lulopetistas. Foi coordenador de várias campanhas vitoriosas e presidenciais do partido, ministro-chefe da Casa Civil e ministro da Fazenda, ao longo das gestões de Lula e Dilma.

Em carta destinada ao PT, Palocci desnuda a legenda e seus porões infectos. Confirma os escândalos nos quais Lula da Silva encontra-se envolvido até o pescoço, junto com sua pupila Dilma Rousseff, responsável pelo desastre que se abateu sobre a Nação.

Vale registrar alguns trechos da carta, a seguir:

“Sei dos erros e ilegalidades que cometi e assumo as minhas responsabilidades. Mas não posso deixar de destacar o choque ao ter visto Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos do seu governo”.

“Quando a luta pelo poder se sobrepõe à luta pelas ideias, a corrupção prevalece. (…) Nós, que nascemos diferentes (…), sonhamos diferente, acabamos por legar ao país algo tão igual ao pior dos costumes políticos”.

“Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do ‘homem mais honesto do país’ enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!!) são atribuídos a Dona Marisa? Somos um partido sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”.

“Um dia, Dilma e Gabrielli dirão a perplexidade que tomou conta de nós após a fatídica reunião na biblioteca do Alvorada, onde Lula encomendou as sondas e as propinas, no mesmo tom, sem cerimônia, na cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa História”.

“Agora que resolvo mudar minha linha de defesa e falar a verdade, me vejo diante de um tribunal inquisitorial dentro do PT. Qual o critério do partido?”.

“‘O cara’, nas palavras de Obama, dissociou-se definitivamente do menino retirante para navegar no terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do ‘tudo pode’, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, (…) são apenas detalhes”.

“Enquanto os fatos me eram imputados e eu me mantive calado, não se cogitava minha expulsão. Ao contrário, era enaltecido por um palavrório vazio”

“Minha geração talvez tenha errado mais do que acertado. Ela está esgotada. É nossa obrigação abrir espaço a novas lideranças, reconhecendo nossas graves falhas e enfrentando a verdade”.

 

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