Câmara rejeita investigações contra Temer, com graves danos ao regime democrático

Com graves danos à democracia brasileira, a Câmara dos Deputados rejeitou prosseguimento das investigações contra o presidente Michel Temer pelo Supremo Tribunal Federal. Quando as instituições não funcionam ou exercem suas atividades de forma pervertida e alinhada com o crime, há sérios riscos para o regime representativo.

Funcionou o fisiologismo escancarado dos deputados, o balcão de negócios e a política rasteira e malsã do é dando que se recebe, articulada a todo vapor pelo Palácio do Planalto, com um cinismo que agride os mais elementares princípios éticos. Os crimes praticados por Temer foram demonstrados na denúncia oferecida pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base em prova substantiva, incontestável, como revelam as gravações feitas do encontro de Joesley Batista com o presidente, nos porões do Palácio Jaburu. Há elementos suficientes e robustos, corroborados pela delação do dono da JBS e mais tarde ratificados pelo doleiro Dilson Funaro, que não deixam dúvida sobre o envolvimento de Temer em pesados esquemas criminosos.

Ainda assim, “suas excelências”, na contramão do que exige cerca de 70% da população brasileira – a investigação dos atos praticados pelo presidente, resolveram torpedear e barrar a apuração dos crimes de formação de quadrilha e obstrução à justiça, elencados na denúncia ministerial, como antes já haviam obrado, com o presidente acusado de corrupção.

Estima-se que em ambos os casos, na primeira e na segunda denúncias, foram gastos R$ 32,1 bilhões em ações do governo levadas a efeitos para impedir a realização das investigações judiciais, uma soma fantástica correspondente às várias concessões e medidas negociadas com os parlamentares pelo Planalto.

Como disse Merval Pereira, em sua coluna no jornal O Globo, Temer, a partir de agora, não passará de um pato manco (lame ducke) no comando da República, sem forças e sem a menor autoridade moral para tocar os projetos de reformas tão reclamadas pela sociedade brasileira. Seguirá coxo até o final de seu melancólico mandato. Uma tragédia.

 

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