A mediocridade no poder

            O Papa Pio XII dizia que o poder é exercido pelos medíocres. Trata-se da mais pura verdade, com exceções que apenas confirmam a regra.

Nos Estados Unidos, referência como regime presidencialista e democrático, é grande o vexame. Se tratarmos dos mais recentes, chega-se a um quadro dramático, com atores de quinta categoria a apresentadores de programas de televisão do pior nível. Pelo mundo afora, especialmente em países atrasados, o desastre é maior.

No Brasil, a partir da redemocratização, tivemos 7 presidentes. Dois deles não concluíram os mandatos, defenestrados pelo impeachment. Excluindo Tancredo Neves, que não tomou posse, a relação vai de José Sarney a Michel Temer, passando por Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff. À exceção de Tancredo, escolhido em colégio instituído pela ditadura militar, todos foram eleitos em eleições diretas.

Sarney e Collor disputam o pódio da catástrofe. Com eles o Brasil entrou em processo de reversão de anos e anos. O maranhense Sarney ousou com equivocado plano econômico de controle de preços, que serviu para aprofundar a crise que marcou o seu governo. Collor foi mais longe, ao confiscar a  poupança e as contas bancárias de todos os brasileiros, em ações que redundaram em retumbante fracasso. Terminou apeado do poder sob acusações de corrupção orquestrada pelo famoso PC Farias.

Como se não bastasse, Dilma e Temer concorrem no mesmo páreo. Mas Dilma vai além da mediocridade e pode ser considerada a pior presidente da história da República, epíteto que ninguém lhe tirará. Quebrou o país e permitiu que se desenvolvesse um dos maiores esquemas sistêmicos de corrupção, em parte herdados do governo Lula. Este, por sua vez, em primeiro mandato, ainda manteve os fundamentos de política econômica implantados por Fernando Henrique, fato que lhe permitiu desempenho razoável, também em função dos bons ventos presentes no cenário internacional. No entanto, logo sucumbiria na irresponsabilidade do gasto público e no afrouxamento das regras de controle das finanças do Estado, aprofundados na administração da pupila que elegeu como sucessora. Como marca emblemática dos governos lulopetistas, a corrupção levada às últimas consequências, inaugurada com o Mensalão, tendo na sequência o Petrolão e outros escândalos.

Michel Temer, que assumiu em circunstâncias semelhantes às de Itamar Franco, não teve a mesma inteligência e sagacidade do mineiro. Falta-lhe o mínimo de espírito público. Ao invés de dirigir-se à sociedade, como o fez Itamar, preferiu a política do compadrio, do toma lá dá cá, do balcão parlamentar, sobremodo após ter sido denunciado pelo Ministério Público pela prática de corrupção e outros delitos.

Excluindo-se os acertos da equipe econômica, em boa hora apartada da crise política, a administração Temer revela-se desastrosa. Funciona apenas para manter o presidente no cargo, a custos que podem chegar a R$ 32,1 bilhões. E tudo hoje se faz em negociações de submundo, com um Congresso voraz, ciente do papel que tem como fiador da permanência de Temer no poder.  No jogo, a escória da vida pública, como se vê com o notório Valdemar Costa Neto, que acaba de excluir Congonhas da relação de aeroportos a serem privatizados. É uma orgia, com o Refis, refinanciamento de dívidas tributárias, em prejuízo da receita, emendas parlamentares perdulárias e a portaria sobre o trabalho escravo, que envergonha o Brasil nos fóruns internacionais.

paulofigueiredo@uol.com.br

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